Apetite Para Ganhar o Mundo


Mais empresas começaram a operar no exterior, um processo que requer um bom planejamento, incluindo mapeamento dos mercados potenciais.

Por Andrea Vialli, Jornal Valor Econômico

Seja por puro apetite para ganhar o mundo ou por causa das circunstâncias econômicas atuais, com a desvalorização do real e retração do mercado interno, uma coisa é certa: franquias brasileiras estão cada vez mais sendo encontradas no exterior.

Em 2015, as marcas nacionais totalizaram 134, um aumento de 22% em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Em 2010, quando a primeira pesquisa foi realizada, havia 65 empresas brasileiras. "Fatores como a crise económica e alta do dólar face ao real brasileiro pode até antecipar o interesse de uma empresa para internacionalizar. No entanto, esses fatores, sendo cíclicos, não devem ser a principal razão para a expansão", diz André Friedheim, Diretor Internacional da ABF.

Ele disse que um número crescente de franquias brasileiras vão para o exterior é um sinal de maturidade do segmento no país, e os esforços para promover a cultura de exportação - com a participação das redes em missões comerciais, feiras e reuniões de negócios internacionais, em parceria com a Agência de Promoção de Investimentos e Exportação (Apex-Brasil).

"Se considerarmos que no mundo existem mais de 3.000 marcas de franquia e 134 delas operam no exterior, ainda há espaço para as marcas brasileiras crescerem lá fora", disse ele. Hoje, as redes nacionais estão presentes em 60 países (acima de 53 em 2014) e o mercado mais procurado permanece os Estados Unidos, com 37 marcas, seguida pelo Paraguai (25 franquias), Portugal (21), Argentina (16) e México (13).

Considerada pela Fundação Dom Cabral (FDC) a franquia brasileira mais internacionalizada em 2015, a iGUi Piscinas de Gravataí, Rio Grande do Sul, começou sua expansão com cautela. A empresa fundada em 1995 tornou-se a maior fabricante mundial de piscinas de fibra de vidro, com uma produção de 30.000 piscinas por ano, graças a uma estratégia que começou na Argentina, com a venda de piscinas por comerciantes bem estabelecidos. O grande salto veio quando eles começaram a licenciar plantas fora do Brasil (hoje existem 45 unidades em países como Argentina, Colômbia, México e Portugal).

Ela está atualmente presente em 35 países com 170 lojas. "Nós estamos procurando novos mercados. Em 2015, passamos de 23 para 33 países e em 2016 esperamos aumentar esse crescimento", diz Marcelo Pazos, do Departamento Internacional da Rede iGUi. A entrada em novos mercados é feita com parceiros locais. De acordo com ele, este ano a empresa planeja investir US$ 100.000 em participação em feiras e eventos para promover a marca no exterior, em parceria com a Apex Brasil. O investimento mínimo para abrir uma loja iGUi no exterior é de cerca de US$ 50mil, o que inclui o estoque inicial de produtos.

Quando começar a planejar seus passos para a expansão internacional, algumas marcas preferem começar com os Estados Unidos, considerado o mercado mais amplo de consumidores no planeta. Este é o caso da Goiana, Goiás, Fast Açai, que abriu a primeira franquia internacional em junho, em Orlando, Florida. Os EUA é o segundo maior mercado para o açaí no mundo, atrás do Brasil, e as frutinhas amazônicas tem o status de super fruta por causa de seus poderes antioxidantes. A diferença é que lá os americanos consomem o açaí em um modo quase farmacológico, adicionando-o a sucos como um suplemento alimentar.

"Queremos trazer o conceito de consumir açaí com prazer, não em cápsulas e reforçar essa cultura de consumir o produto em uma tigela com frutas e cereais", disse Odilon Moura, gerente de operações internacionais da Fast Açai. A empresa também está negociando o primeiro contrato para operar em Miami.

A expansão internacional foi uma etapa que começou a ser calculada há dois anos, sem a atual crise como um fator, explica Moura. "Aqueles que querem internacionalizar por causa da crise, tendem a falhar, porque é um passo que precisa ser bem planejado. Expandir estava em nossos planos originais, e a desvalorização do Real frente ao Dólar norte-americano ajudou", diz ele. A mercado interno é bom para eles: com 112 lojas em 13 estados e no Distrito Federal, e a cadeia espera abrir mais 27 franquias até o final do ano.

Depois do segmento de alimentos, que compreende 18% das marcas que operam fora vem os setores de esportes, saúde, beleza e lazer, com uma representação de 17%, de acordo com a ABF. A Rede Depyl Action, quinta maior rede brasileira mais internacionalizada, de acordo com o ranking da Fundação Dom Cabral em 2015, tem duas lojas na Venezuela, em operação há dez anos. No entanto, a crise no país vizinho, com hiper-inflação e escassez de itens básicos, obrigou a empresa a procurar novos rumos.

"Estamos fazendo um novo plano estratégico de expansão internacional. No momento, estamos mapeando potenciais mercados", diz Danyelle Van Stratten, sócia-gerente da Depyl Action. A franquia exportou conceitos como fotodepilação (pelo qual a remoção dos pelos é feita por luz pulsante), e depilação masculina no mercado interno, e conseguiu manter boas margens de crescimento de cerca de 15%, mesmo com a diminuição do poder de compra dos clientes. "Franquias de saúde e bem-estar mostram que é possível crescer apesar da crise, porque elas vendem auto-estima, que é uma forma de compensar o stress da vida atual."

Emagrecentro, outra franquia de cosmética, parte do grupo Multifranquias segue o mesmo caminho. A cadeia abriu sua primeira franquia em Bogotá, Colômbia, em janeiro.

"Diversificação do mercado surgiu como uma alternativa para os tempos de crise, quando o gasto médio na beleza tende a diminuir, embora ela não desapareça a partir no orçamento", diz Edson Ramurh, fundador da marca. De acordo com ele, a operação colombiana tem registrado bom desempenho, e os planos de expansão internacional inclui a abertura de uma loja em Miami este ano e mais dez unidades nos próximos dois anos na América do Sul. Mulheres colombianas são tão vaidosas quanto as brasileiras. Cuidados com a parência é uma característica das mulheres latinas.

Valor Econômico / FRANQUIA


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